domingo, 7 de fevereiro de 2021

Nos hipermercados, nada se perde, tudo se transforma

Das medidas restritivas impostas pelo Governo no actual quadro do estado de emergência, umas tornaram-se tão difíceis de compreender como os quadros da Paula Rego ou o uso que a Joana Vasconcelos dá aos tampões.

Uma dessas medidas é a proibição da venda de livros nas grandes superfícies. Num país onde o gosto pela literatura nunca rivalizou com a paixão pelo futebol, o que explica a fluência e a eloquência         com que se expressam distintos tribunos como Jorge Jesus, António Salvador ou Cristiano Ronaldo (parabéns, CR7), tomar medidas deste calibre não constitui grande estímulo à leitura.

Com os escaparates vazios de obras literárias, os grandes lojistas não perderam tempo a optimizar o espaço. Tornou-se pois viral uma imagem na qual se via enormes embalagens de papel higiénico no lugar outrora ocupado pelos livros.

Que conclusões é que daqui se podem retirar? A primeira, inevitável e avassaladora, é a de que os gerentes de loja acham que os portugueses, na sua generalidade, têm um intelecto idêntico ao de uma formiga de asa e não conseguem ler mais do que aquilo que habitualmente vem escrito no papel higiénico e, não, não me estou a referir à embalagem, mas ao rolo.

A segunda, que me parece incontestável, é a de que os livros, quando ressurgirem, serão colocados naquele que era até há pouco tempo o feudo do papel higiénico. Será pois o pretexto perfeito para, finalmente, darmos o devido uso às criações de José Rodrigues dos Santos, Pedro Chagas Freitas e                             Gustavo Santos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Novos tempos, velhos receios

Um ano após o surgimento da pandemia que nos virou a vida do avesso a um ponto que passámos a ponderar a sensatez de usar cuecas na cabeça e barbatanas no lugar de luvas, ainda muito há por saber acerca da Covid-19, dos seus efeitos a longo prazo e, sim, da melhor forma para detectar a presença do vírus que a causa no organismo humano.

Quando todos achavam que o método de enfiar uma zaragatoa ventas acima, assim a modos que a imitar os Egípcios e a sua forma de esvaziar a caixa craniana no processo de mumificação dos faraós, para verificar a presença do bicho no corpo da malta, eis que da China nos chega a notícia de que afinal existe um método menos invasivo e igualmente eficaz. Ora, em vez de se porem a escarafunchar no nariz, vão à procura do coronavírus no sítio onde se desconfia estar o tesouro perdido. Sim, no cu.

Pois bem, para mim existem duas formas de abordar a questão. A primeira é idêntica à possibilidade que o Facebook nos dá de descrever o nosso estado sentimental quando nos metemos numa relação que sabemos que, mais cedo que tarde, vai dar merda: é complicado. A segunda é a mais óbvia  e, concomitantemente, a que mais dúvidas deixa quanto ao seu significado: no cu?! Então não metes?! No cu metes mas é o caralho!                                                

domingo, 31 de janeiro de 2021

Brilhantismo comunicacional

Há Pessoal que nasceu mesmo com o dom de saber vender bem qualquer produto. Será o caso da agência de comunicação que desenvolveu a campanha publicitária da Depuralina.

Então não é que os maganos, já a finalizar o anúncio televisivo, puseram a moça a dizer que o produto diurético é uma maravilha... no combate à perda de peso??

Diabéticos, ponham-se a pau. Ouvi dizer que a Nutella é a próxima a contratar os serviços desta agência e uma das frases fortes do anúncio será qualquer coisa como: »o seu creme de avelãs eficaz no controlo do nível de açúcar no sangue».

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Dúvidas que me assaltam à mão armada

com o número de novos casos de Covid-19 num crescendo que fazia lembrar o penteado do palhaço Companhia (so 90's), termos um novo confinamento geral era algo inevitável.

Assim mesmo considerou o Governo liderado por António Costa, que no final da tarde de hoje anunciou as medidas que nos farão papar todas as séries da Netflix pela segunda vez num espaço de 10 meses, não vá a malta ter-se esquecido como é que o Professor sacou a Lisboa na Casa de Papel.

 Decidir o que fica aberto e fechado é uma tarefa complexa e as incoerências podem ser mais visíveis que o enfado da Graça Freitas nas conferências de imprensa diárias da DGS. Se não, reparem.

A partir da meia-noite da próxima sexta-feira , não se pode ir ao cabeleireiro, onde antes já só era possível estar a sós com o senhor que nos corta o cabelo, mas continua a ser permitido ir a missas católicas, nas quais umas vinte ou trinta pessoas dizem que o Senhor está entre elas.

A minha questão é esta: será que devemos continuar a ir à missa com o cabelo por cortar seguros de que isso não aumenta a histeria colectiva? É que podemos ser facilmente confundidos com Jesus Cristo, tal será o tamanho que os nossos cabelos terão...        

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Perguntas para reflectirmos

Tenho aqui um frigorífico em casa que, de súbito, deixou de trabalhar. Não conheço com exactidão a sua proveniência, mas desconfio, pelo nome e pelo aspecto, que tem origem asiática.

Acham que é de tentar a sua reabilitação ou entrego-o ao André Ventura para que ele o despache para a                                                                     terra dele?

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Intempéries na Casa Branca

À medida que as eleições presidenciais americanas se aproximam a passos largos, os pesos-pesados do campo político     voltam à ribalta para apoiar os candidatos à Casa Branca.

Do lado democrata, a Convenção Nacional do partido é o cenário ideal para alavancar a candidatura de Joe Biden, o favorito a comandar os destinos dos Estados Unidos nos próximos quatro anos.

Foi durante o evento que Bill Clinton, que ocupou o cargo entre 1993 e 2001,  teceu duras críticas a Donald Trump, afirmando que «a Sala Oval é o centro de uma tempestade».

Bem, temos que admitir que as condições meteorológicas no gabinete presidencial mais famoso do mundo pioraram bastante desde                                                 que Clinton lá esteve. Na altura, eram só uns pinguinhos que caíam... no vestido da querida da Mónica!

sábado, 9 de maio de 2020

Privilégios onomásticos

O desconfinamento, um neologismo tão recente que nem o corrector ortográfico do Firefox reconhece, vai acontecendo um pouco por toda à Europa, à medida que a pandemia de Covid-19 apresenta alguns sinais de abrandamento e a economia, em sentido oposto, manifesta dificuldades em respirar.
Vai sendo, pois, altura de levantar algumas das medidas restritivas que nos fizeram parecer verdadeiros eremitas nas últimas semanas, desde logo a começar pelo tamanho que atingiram as nossas composições capilares. No entanto, há impedimentos que vieram para ficar durante bastante tempo, nomeadamente aqueles que se relacionam com os ajuntamentos de pessoas. Não, pessoal da CGTP e dos Super Dragões, não estou a falar com vocês!
Como exemplo do que vos digo, em Portugal os festivais de música, um dos nossos ex-libris no que toca às artes de bem sorver quantidades industriais de cerveja e de mamar da boca do parceiro do lado enquanto uns gajos quaisquer de quem nunca ouviram falar tocam... como é que se diz?, ah!, música em cima de um palco, estão proibídos até ao dia 30 de Setembro.
Há, porém, uma excepção a fazer. Durante este período, há um grupo de artistas que pode actuar sem restrições e que toda a gente está louca por poder ver. Chamam-se... Vaccines.