Cavalos aos tiros, homens aos coices, anões pernaltas e gigantes atarracados. Sem filtro, sem juízo, muita parvoíce e pouca graça. Aqui ninguém vem ao engano!
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
Português traiçoeiro
As pessoas insistem em levar os termos populares à letra, com todas as consequências que daí podem advir. Por exemplo, a expressão "levar as coisas a peito" pode ser muito perigosa se interpretada no seu sentido literal. Que o diga a Ana Guiomar.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
O bando dos cinco
O Football Leaks está a pôr o mundo do pontapé no cautchú num alvoroço. Então não se puseram a dizer que o Cristiano Ronaldo andou a fugir ao fisco espanhol? Pior! Disseram que não foi só o Ronaldo, esse rapaz cuja conduta está acima de qualquer suspeita! Caluniaram também o Ricardo Carvalho, o Fábio Coentrão, o Pepe e até, imaginem só, o José Mourinho. Todos eles a pirarem-se para bem longe das garras da Autoridade Tributária espanhola! Que infâmia!
Mais escabrosa ainda é a piadola que inventaram sobre este escândalo montado por uma cambada de invejosos. Então não anda para aí um rapaz, cujo pseudónimo se relaciona com um bocado de madeira que serve para escrever, a dizer que aquilo foi um vírus que atacou o balneário do Real Madrid há umas épocas atrás? Diz esse parvalhão que aquilo é uma variante do vírus HPV, que só ataca malta tuga e que assim levou a uma nova interpretação da sigla? Vejam bem até onde chegou o disparate: para ele, HPV é agora "Heita, o Português é Vigarista!
Eu, que até sou um rapaz pacífico, tenho as entranhas voltadas do avesso com isto! Por mim, era dar um tiro nessa corja de difamadores e oportunistas do humor! Adeus! Vou ali acalmar a cólera com uma injecção de 20 milhões de euros numa off-shore das Ilhas Virgens Britânicas.
Mais escabrosa ainda é a piadola que inventaram sobre este escândalo montado por uma cambada de invejosos. Então não anda para aí um rapaz, cujo pseudónimo se relaciona com um bocado de madeira que serve para escrever, a dizer que aquilo foi um vírus que atacou o balneário do Real Madrid há umas épocas atrás? Diz esse parvalhão que aquilo é uma variante do vírus HPV, que só ataca malta tuga e que assim levou a uma nova interpretação da sigla? Vejam bem até onde chegou o disparate: para ele, HPV é agora "Heita, o Português é Vigarista!
Eu, que até sou um rapaz pacífico, tenho as entranhas voltadas do avesso com isto! Por mim, era dar um tiro nessa corja de difamadores e oportunistas do humor! Adeus! Vou ali acalmar a cólera com uma injecção de 20 milhões de euros numa off-shore das Ilhas Virgens Britânicas.
sábado, 10 de dezembro de 2016
Não me toca, mas aleija na mesma
Anselmo Ralph está numa fase fulgurante da sua carreira. O cantor angolano deu um concerto no Campo Pequeno na última noite para uma plateia de sete mil espectadores, assinalando desta forma o lançamento do seu novo disco. Intitulado "Amor é Cego", o álbum saltou para a primeira posição do top nacional de vendas.
Entusiasmado com os últimos feitos alcançados, Ralph está já a trabalhar no sucessor de "Amor é Cego", não havendo ainda uma data prevista para a sua edição. O nome, esse, já está escolhido: "Fã é Surdo".
Entusiasmado com os últimos feitos alcançados, Ralph está já a trabalhar no sucessor de "Amor é Cego", não havendo ainda uma data prevista para a sua edição. O nome, esse, já está escolhido: "Fã é Surdo".
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
Mudam-se os termos, mudam-se as vontades
Cúmulo da contradição: um daltónico com uma amiga colorida.
Resolução de problemas: incluir código de cores numa das nádegas... ou numa das omoplatas... ou na testa, para o caso do daltónico não passar da fase dos beijinhos!
Resolução de problemas: incluir código de cores numa das nádegas... ou numa das omoplatas... ou na testa, para o caso do daltónico não passar da fase dos beijinhos!
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Novidades velhinhas da Soeiro Pereira Gomes
Teve lugar em Almada, neste fim-de-semana, o congresso do mais antigo partido político nacional, o Partido Comunista Português. Este serviu para reconduzir Jerónimo de Sousa no cargo de secretário-geral, ratificar a constituição do Comité Central e definir a linha de acção comunista nos próximos quatro anos.
O momento dos congressos do PCP que maior polémica cria é aquele em que jornalistas e convidados são... uh... convidados a sair para que o Comité Central seja votado e, por conseguinte, se proceda à eleição do secretário-geral. Longe de olhares e ouvidos indiscretos, não vá o Diabo tecê-las. Passos Coelho anuncio a chegada do "Cornudo" para Setembro e, como estamos quase no Natal e do Belzebu nem o cheiro a enxofre se nota, os dirigentes comunistas estão com a "pulga atrás da orelha", preferindo jogar pelo seguro, fechando-lhe todas as portas, janelas, alçapões e escotilhas.
É evidente que esta é uma justificação completamente absurda e descabida. Se faz algum sentido estarem a inventar coisas destas... Pfff! Querem ocultar o verdadeiro motivo, mas a mim não me enganam. Eu sei muito bem o que se passou depois de terem posto toda a gente na rua e vou partilhar essa informação top secret convosco.
Depois de ter sido reeleito, Jerónimo de Sousa certificou-se que estava tudo fechado a sete chaves e, após essa confirmação, fez sinal a Alexandra Solnado para que começasse a desenvolver o seu trabalho. A medium iniciou os procedimentos necessários para chamar à sala os espíritos que auxiliaram o secretário-geral a definir as directrizes futuras. Chegou o primeiro.
- Camarada, "petanto", Lenine! - saudou Jerónimo - Bem-vindo! Então? Que recomendações tens a fazer?
Uma voz gutural fez-se ouvir na sala:
- Devem matar os czares! Só assim teremos o triunfo final da revolução bolchevique!
- Ó, "petanto", camarada Lenine, nós não temos aqui czares... - lembrou-lhe Jerónimo.
- Não têm? - espantou-se Lenine - Então o que é que têm por cá, para além de pastéis de nata e cocó de cão nos passeios?
- Uh... Temos o D. Duarte Pio, que é o mais aproximado ao czar...
- Quem? Não conheço! Olha, não sei como ajudar. Adeus em russo!
- Mas... "petanto"... Camarada Lenine! - tentou ainda o líder dos comunistas portugueses - Mas...
Foi Alexandra Solnado a interromper:
- Não vale a pena. Perdemo-lo.
Suspirando, Jerónimo fez um gesto agastado na direcção da mulher:
- Chama, "petanto", o camarada Josef, por favor.
Alexandra acedeu prontamente ao pedido e não tardou a ouvir-se nova voz cavernosa:
- Camarada Jerónimo! - exclamou o espírito de Estaline - Em que te posso ser útil, meu amigo? Se for vodka, é só pedir. Lá no Inferno temos muito disso. É para regar as fogueiras que se estão a extinguir. - A voz deu lugar a uma gargalhada sinistra para reaparecer ao fim de alguns segundos - Nem imaginas o espectáculo que é!
- Faço ideia, camarada Josef - replicou Jerónimo, um sorriso amarelo a nascer-lhe no rosto - Mas não, não é nada disso. Queria mesmo era pedir-te uns conselhos para o futuro aqui do PCP para que a coisa alavancasse. Temos eleições autárquicas para o ano e dava-nos jeito ter um resultado que se visse, estás a perceber?
Um silêncio pesado instalou-se durante uns segundos, insinuando que Estaline estava a meditar sobre o assunto. Como o período já se mostrava demasiado longo, Jerónimo decidiu certificar-se que estava tudo em ordem:
- Camarada Estaline?! Estás a pensar?
- Uh... não! Por acaso, adormeci... - reconheceu o espírito de Estaline - Uh... um conselho? Olha, dá caça ao Trotsky!
- Ao Trotsky? - perguntou Jerónimo, num misto de perplexidade com impaciência - Mas esse já foi caçado! E foi por ti!
- Epá, pois foi! - apressou-se o russo a confirmar - Já não me lembrava. Tenho quase 200 anos, que queres tu?! Que te diga o nome da capital da Rússia, não? - Nova pausa - Olha, mata os filhos do Trotsky!
Desta vez foi Jerónimo a deixar o silêncio tomar lugar, dando a entender o desconforto que o que tinha para dizer lhe causava:
- Uh... "petanto"... - gaguejou - Uh... isso... isso não vai poder ser, camarada. - Respirou fundo e retomou a oratória intermitente - É que... é que nós estamos ao lado deles a apoiar um governo que é... "petanto"... é socialista.
- Vocês o quê?! - vociferou Estaline - Cambada de... de... traidores! Rastapaukanovs do caravelhots!
- Mas... mas, camarada - tentou acalmá-lo Jerónimo - Nós... nós...
Foi novamente Alexandra a alertá-lo:
- Já foi. É tempo perdido tentar fazê-lo regressar. Aquele bigode retorcido não deixa margem para dúvidas.
Jerónimo tornou a suspirar, vendo a sua tarefa cada vez mais complicada. Coçou o queixo, meditativo. Depois de uns segundos, exclamou:
- Alexandra, o primo Fidel! Chama-o, "petanto", por favor!
A medium torceu o nariz, em sinal de reprovação:
- Jerónimo, esse morreu no Sábado passado e andou a semana toda em tournée lá por Cuba. Não sei se teve tempo de chegar ao mundo dos mortos.
- É uma questão de extrema importância para a nossa vida - ripostou Jerónimo - "Petanto", chama lá o defunto, se fazes favor! Se ele já estiver disponível, vem de certeza!
Contrariada, Alexandra Solnado lá começou a ensaiar o contacto paranormal. Uma voz arrastada ecoou:
- "Hasta la victoria, sempre!" - gritou Fidel, num castelhano enrolado - Que passa, camarada Jerónimo? Mal me deixaste aqui chegar, hã? Só tive tempo de acender um dos meus habanos ali num archote!
- Desculpa lá, Fidel, mas estou mesmo enrascado! - admitiu o secretário-geral - Preciso de um conselho teu para levar o capitalismo selvagem de vencida e continuar a mostrar que a ideologia comunista tem lugar no mundo contemporâneo.
- Um conselho, caray?! - interrogou o ex-líder cubano - Olha, experimenta calar o pio a esses reaccionários todos que por aí andam! É agarrar neles, encaminhá-los para o alto da Torre de Belém e incitá-los a praticar bungee-jumping, mas sem elástico! Hã? Que tal?
Jerónimo titubeou, pensando na sugestão e confrontando-a com a realidade nacional. Por fim, murmurou:
- Pois... "petanto"... é uma ideia. Mais alguma?
- Outra - empertigou-se Fidel - E não faço mais nada que não seja dar ideias? Deves pensar que não foi isso que fiz até ao último dia... Vai-se a ver e ainda pensas que era o meu irmão que mandava em Cuba, não? Ai, estes portugueses... Mira, quiero quedar-me ahora descansado. Adiós!
Desta feita, Jerónimo não tentou deter o seu interlocutor. Estava resignado à sua sorte. Encolheu os ombros e, acto contínuo, sacou de um velho bloco de notas que trazia no bolso interior do casaco, começando de imediato a ler o que ele continha.
- "Petanto", protestar. "Petanto", a ditadura do proletariado. "Petanto", não à exploração dos trabalhadores. "Petanto"... "petanto"... avante, camaradas!
O momento dos congressos do PCP que maior polémica cria é aquele em que jornalistas e convidados são... uh... convidados a sair para que o Comité Central seja votado e, por conseguinte, se proceda à eleição do secretário-geral. Longe de olhares e ouvidos indiscretos, não vá o Diabo tecê-las. Passos Coelho anuncio a chegada do "Cornudo" para Setembro e, como estamos quase no Natal e do Belzebu nem o cheiro a enxofre se nota, os dirigentes comunistas estão com a "pulga atrás da orelha", preferindo jogar pelo seguro, fechando-lhe todas as portas, janelas, alçapões e escotilhas.
É evidente que esta é uma justificação completamente absurda e descabida. Se faz algum sentido estarem a inventar coisas destas... Pfff! Querem ocultar o verdadeiro motivo, mas a mim não me enganam. Eu sei muito bem o que se passou depois de terem posto toda a gente na rua e vou partilhar essa informação top secret convosco.
Depois de ter sido reeleito, Jerónimo de Sousa certificou-se que estava tudo fechado a sete chaves e, após essa confirmação, fez sinal a Alexandra Solnado para que começasse a desenvolver o seu trabalho. A medium iniciou os procedimentos necessários para chamar à sala os espíritos que auxiliaram o secretário-geral a definir as directrizes futuras. Chegou o primeiro.
- Camarada, "petanto", Lenine! - saudou Jerónimo - Bem-vindo! Então? Que recomendações tens a fazer?
Uma voz gutural fez-se ouvir na sala:
- Devem matar os czares! Só assim teremos o triunfo final da revolução bolchevique!
- Ó, "petanto", camarada Lenine, nós não temos aqui czares... - lembrou-lhe Jerónimo.
- Não têm? - espantou-se Lenine - Então o que é que têm por cá, para além de pastéis de nata e cocó de cão nos passeios?
- Uh... Temos o D. Duarte Pio, que é o mais aproximado ao czar...
- Quem? Não conheço! Olha, não sei como ajudar. Adeus em russo!
- Mas... "petanto"... Camarada Lenine! - tentou ainda o líder dos comunistas portugueses - Mas...
Foi Alexandra Solnado a interromper:
- Não vale a pena. Perdemo-lo.
Suspirando, Jerónimo fez um gesto agastado na direcção da mulher:
- Chama, "petanto", o camarada Josef, por favor.
Alexandra acedeu prontamente ao pedido e não tardou a ouvir-se nova voz cavernosa:
- Camarada Jerónimo! - exclamou o espírito de Estaline - Em que te posso ser útil, meu amigo? Se for vodka, é só pedir. Lá no Inferno temos muito disso. É para regar as fogueiras que se estão a extinguir. - A voz deu lugar a uma gargalhada sinistra para reaparecer ao fim de alguns segundos - Nem imaginas o espectáculo que é!
- Faço ideia, camarada Josef - replicou Jerónimo, um sorriso amarelo a nascer-lhe no rosto - Mas não, não é nada disso. Queria mesmo era pedir-te uns conselhos para o futuro aqui do PCP para que a coisa alavancasse. Temos eleições autárquicas para o ano e dava-nos jeito ter um resultado que se visse, estás a perceber?
Um silêncio pesado instalou-se durante uns segundos, insinuando que Estaline estava a meditar sobre o assunto. Como o período já se mostrava demasiado longo, Jerónimo decidiu certificar-se que estava tudo em ordem:
- Camarada Estaline?! Estás a pensar?
- Uh... não! Por acaso, adormeci... - reconheceu o espírito de Estaline - Uh... um conselho? Olha, dá caça ao Trotsky!
- Ao Trotsky? - perguntou Jerónimo, num misto de perplexidade com impaciência - Mas esse já foi caçado! E foi por ti!
- Epá, pois foi! - apressou-se o russo a confirmar - Já não me lembrava. Tenho quase 200 anos, que queres tu?! Que te diga o nome da capital da Rússia, não? - Nova pausa - Olha, mata os filhos do Trotsky!
Desta vez foi Jerónimo a deixar o silêncio tomar lugar, dando a entender o desconforto que o que tinha para dizer lhe causava:
- Uh... "petanto"... - gaguejou - Uh... isso... isso não vai poder ser, camarada. - Respirou fundo e retomou a oratória intermitente - É que... é que nós estamos ao lado deles a apoiar um governo que é... "petanto"... é socialista.
- Vocês o quê?! - vociferou Estaline - Cambada de... de... traidores! Rastapaukanovs do caravelhots!
- Mas... mas, camarada - tentou acalmá-lo Jerónimo - Nós... nós...
Foi novamente Alexandra a alertá-lo:
- Já foi. É tempo perdido tentar fazê-lo regressar. Aquele bigode retorcido não deixa margem para dúvidas.
Jerónimo tornou a suspirar, vendo a sua tarefa cada vez mais complicada. Coçou o queixo, meditativo. Depois de uns segundos, exclamou:
- Alexandra, o primo Fidel! Chama-o, "petanto", por favor!
A medium torceu o nariz, em sinal de reprovação:
- Jerónimo, esse morreu no Sábado passado e andou a semana toda em tournée lá por Cuba. Não sei se teve tempo de chegar ao mundo dos mortos.
- É uma questão de extrema importância para a nossa vida - ripostou Jerónimo - "Petanto", chama lá o defunto, se fazes favor! Se ele já estiver disponível, vem de certeza!
Contrariada, Alexandra Solnado lá começou a ensaiar o contacto paranormal. Uma voz arrastada ecoou:
- "Hasta la victoria, sempre!" - gritou Fidel, num castelhano enrolado - Que passa, camarada Jerónimo? Mal me deixaste aqui chegar, hã? Só tive tempo de acender um dos meus habanos ali num archote!
- Desculpa lá, Fidel, mas estou mesmo enrascado! - admitiu o secretário-geral - Preciso de um conselho teu para levar o capitalismo selvagem de vencida e continuar a mostrar que a ideologia comunista tem lugar no mundo contemporâneo.
- Um conselho, caray?! - interrogou o ex-líder cubano - Olha, experimenta calar o pio a esses reaccionários todos que por aí andam! É agarrar neles, encaminhá-los para o alto da Torre de Belém e incitá-los a praticar bungee-jumping, mas sem elástico! Hã? Que tal?
Jerónimo titubeou, pensando na sugestão e confrontando-a com a realidade nacional. Por fim, murmurou:
- Pois... "petanto"... é uma ideia. Mais alguma?
- Outra - empertigou-se Fidel - E não faço mais nada que não seja dar ideias? Deves pensar que não foi isso que fiz até ao último dia... Vai-se a ver e ainda pensas que era o meu irmão que mandava em Cuba, não? Ai, estes portugueses... Mira, quiero quedar-me ahora descansado. Adiós!
Desta feita, Jerónimo não tentou deter o seu interlocutor. Estava resignado à sua sorte. Encolheu os ombros e, acto contínuo, sacou de um velho bloco de notas que trazia no bolso interior do casaco, começando de imediato a ler o que ele continha.
- "Petanto", protestar. "Petanto", a ditadura do proletariado. "Petanto", não à exploração dos trabalhadores. "Petanto"... "petanto"... avante, camaradas!
sábado, 3 de dezembro de 2016
Cuidado com a sensação de vitória antes do final da partida
Os serões em família passados em frente à televisão têm o condão de trazer paz e calma ao final de um dia stressante, mas também podem potenciar um tão acalorado debate de ideias que faz parecer o "Prós e Contras" uma troca de mimos azeitada entre um casal que iniciou uma relação amorosa há um quarto de hora. Por norma, em minha casa envereda-se pela segunda opção. Demasiada carne vermelha, dirão muitos. Eu apenas digo: o limite é o contacto físico que o árbitro possa sancionar com cartão vermelho. Até aí, vale tudo.
Ora se a pólvora anda danadinha para saltar fora do barril e entrar em auto-combustão, mais fácil fica ainda quando a discussão gira em torno de uma figura que não é consensual. A propósito do lançamento do seu novo livro, Ricardo Araújo Pereira concedeu uma entrevista a Vítor Gonçalves na RTP3, que considerei muito rica, dada a variedade de temas abordados e ao superior intelecto dos dois interlocutores. Acontece que sou o único fã de RAP aqui em casa e a manifestação de desagrado por vê-lo a ocupar espaço num canal público ganhou forma na voz da minha mãe. Podia ser na voz de Pavarotti, mas ele já morreu e tínhamos aqui um caso paranormal assustador que só poderia ser resolvido com recurso aos dons do professor Alexandrino. Assim foi melhor:
- Não gosto deste gajo. Nunca gostei.
Levantado que ficou o meu sobrolho com a observação, resolvi aprofundar a questão:
- Ah, não? Então porquê, mãe?
- Não sei... - respondeu ela com ar de desprezo, corrigindo a vagueza da primeira resposta com um peremptório... - Acho-o parvo!
- Hum... Então e qual é o humorista que aprecia? - quis eu saber.
- Olha, gosto daquele grandalhão...
Eu sabia a quem se referia, é claro, mas quis retaliar pela falta de respeito que tinha tido por um dos meus ídolos uns segundos antes:
- Quem? O Badaró? Esse já morreu, mãe...
- Não é nada o Badaró! É o... é o...
Ai quiseste achincalhar o grande RAP? Então agora vais ver como elas te trincam no lombo! Não dando margem para assomos repentinos de memória fresca que a salvassem, voltei a carregar:
- O Fernando Mendes? Esse não é grande, mãe. O cu dele é que é maior que a lua cheia, mas ele é baixito...
Já esbaforida, a minha progenitora deixa os olhos subirem para o tecto (não de uma forma literal, claro. Números de faquir não são compatíveis com senhoras habilidosas na confecção de arroz de marisco) e eu começo a esboçar aquele sorriso triunfal de quem se vê a vencer a contenda. Faltava dar a machadada final:
- Também não é esse, pois não? Ah, já sei! É de mim que gosta, não é?
A senhora dona minha mãe respira fundo e solta a revelação:
Não, filho. Também não é de ti...
Da próxima vez que se depararem com um acto que vos pareça tresloucado, perpetrado por alguém que vos pareça um genuíno psicopata, tentem não tecer juízos de valor mal amanhados. É que por detrás dessa loucura aparente pode existir um forte catalisador para a despoletar. Pode haver uma... Está quieto, Óscar! Desculpem lá, este cão anda impossível! Então não estava mesmo agora a lamber o gatilho da minha Kalashnikov? Bem... Onde é que nós íamos mesmo? Ah, sim! Malta que vocês acham parecidos com o Hannibal Lecter, não era?
Ora se a pólvora anda danadinha para saltar fora do barril e entrar em auto-combustão, mais fácil fica ainda quando a discussão gira em torno de uma figura que não é consensual. A propósito do lançamento do seu novo livro, Ricardo Araújo Pereira concedeu uma entrevista a Vítor Gonçalves na RTP3, que considerei muito rica, dada a variedade de temas abordados e ao superior intelecto dos dois interlocutores. Acontece que sou o único fã de RAP aqui em casa e a manifestação de desagrado por vê-lo a ocupar espaço num canal público ganhou forma na voz da minha mãe. Podia ser na voz de Pavarotti, mas ele já morreu e tínhamos aqui um caso paranormal assustador que só poderia ser resolvido com recurso aos dons do professor Alexandrino. Assim foi melhor:
- Não gosto deste gajo. Nunca gostei.
Levantado que ficou o meu sobrolho com a observação, resolvi aprofundar a questão:
- Ah, não? Então porquê, mãe?
- Não sei... - respondeu ela com ar de desprezo, corrigindo a vagueza da primeira resposta com um peremptório... - Acho-o parvo!
- Hum... Então e qual é o humorista que aprecia? - quis eu saber.
- Olha, gosto daquele grandalhão...
Eu sabia a quem se referia, é claro, mas quis retaliar pela falta de respeito que tinha tido por um dos meus ídolos uns segundos antes:
- Quem? O Badaró? Esse já morreu, mãe...
- Não é nada o Badaró! É o... é o...
Ai quiseste achincalhar o grande RAP? Então agora vais ver como elas te trincam no lombo! Não dando margem para assomos repentinos de memória fresca que a salvassem, voltei a carregar:
- O Fernando Mendes? Esse não é grande, mãe. O cu dele é que é maior que a lua cheia, mas ele é baixito...
Já esbaforida, a minha progenitora deixa os olhos subirem para o tecto (não de uma forma literal, claro. Números de faquir não são compatíveis com senhoras habilidosas na confecção de arroz de marisco) e eu começo a esboçar aquele sorriso triunfal de quem se vê a vencer a contenda. Faltava dar a machadada final:
- Também não é esse, pois não? Ah, já sei! É de mim que gosta, não é?
A senhora dona minha mãe respira fundo e solta a revelação:
Não, filho. Também não é de ti...
Da próxima vez que se depararem com um acto que vos pareça tresloucado, perpetrado por alguém que vos pareça um genuíno psicopata, tentem não tecer juízos de valor mal amanhados. É que por detrás dessa loucura aparente pode existir um forte catalisador para a despoletar. Pode haver uma... Está quieto, Óscar! Desculpem lá, este cão anda impossível! Então não estava mesmo agora a lamber o gatilho da minha Kalashnikov? Bem... Onde é que nós íamos mesmo? Ah, sim! Malta que vocês acham parecidos com o Hannibal Lecter, não era?
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
Atenção, atenção! Muito obrigado pela atenção!
Senhoras e senhores, meninos e meninas, cabeçudos e anãs, tenho um importante comunicado a fazer à nação contra-chatesa. Este espaço perdeu o seu lado mais cabreiro. Sim, é verdade. Aqui o menino achou que a chegada às 10 mil visitas (muito obrigado a todos... e uma camisa de forças para cada um) representava o momento ideal para dar mais um passo rumo ao progresso. Não pensem, contudo, que não fui submetido a asfixiante pressão para o fazer, como exporei de seguida.
Antes, tenho a declarar a abertura da página oficial do "Contra chatos" no Facebook. Para quem procura uma justificação plausível para esta tomada de decisão, aviso que não a tenho. No entanto, possuo outra que é bem mais inopinada (que raio de palavra... decomposta, parece "hino à pinada"). É esta: Mark Zuckerberg não descansou enquanto não me teve do lado dos doidinhos facebookianos. Ele foi chamadas, e-mails, cartas registadas, mensagens via correio-pombo e até cegonhas, que não traziam bebés, mas sim compêndios das melhores algazarras da maior rede social da História. Admito: fui fraco e não resisti a esta operação de charme.
Não quer isto dizer que a página venha a possuir conteúdo exclusivo. Aqueles vídeos em Lloret del Mar comigo abraçado a um poste a declarar juras de amor eternas "a ti, Ágata, minha perdição" estão bem guardados e nunca serão divulgados. Todavia, porém, contudo e qualquer outra adversativa da qual não me lembro agora, poderei ser tentado a deixar por lá cair uma piadola que não seja merecedora de se exibir nesta baiuca. Hum? Sentiram-se tentadinhos? Não? E se eu vos oferecer um serviço de loiça chinesa produzido ali nas Caldas da Rainha? Não me fazem um likezito? Ah, seus marotos! Eu sabia que vocês não perdem uma oferta das boas. Melhores, melhores só aquelas da EHS e do Calcitrin, eu sei. Um passinho de cada vez. Hoje loiça chinesa das Caldas, amanhã, uma Simone ou um Malato para pôrem em cima do armário da casa-de-banho.
Como terão oportunidade de reparar, a página não tem foto de perfil. Estou a contar com as vossas propostas para lhe conferir uma imagem condizente com a reputação que o "Contra chatos" já criou, que é de badalhoca para baixo. Assim, peço-vos que façam chegar as vossas ideias via-email nos próximos quinze dias. É que depois mete-se o Natal e eu tenho de trinchar o perú... com dez dias de antecedência. Sim, é isso. Eu podia dizer-vos que isto é uma forma de vos mostrar o quão importantes vocês e as vossas sugestões são para mim, mas não é de nada disso que se trata. Só não me apetece andar por aí feito maluco à procura de uma boa imagem e então deixo-vos essa tarefa.
Este concurso está autorizado pelo Governo Civil da Minha Barraca e atribuirá como prémio um penico com a imagem de Donald Trump no fundo. Será a melhor oportunidade que terão durante toda a vida de cagar no futuro Presidente dos... ai, que me vai saltar o baço pela boca ao escrever isto... dos... dos... oh, vocês sabem de onde é e assim evitam-se espectáculos bizarros. O júri que escolherá a imagem vencedora reunirá grandes vultos da análise semiótica, sendo constituído por mim, pelo Lápis Roído e pelo "King".
Sem outro assunto, despeço-me com amizade e um António Vitorino entre os dedos do pé esquerdo.
Antes, tenho a declarar a abertura da página oficial do "Contra chatos" no Facebook. Para quem procura uma justificação plausível para esta tomada de decisão, aviso que não a tenho. No entanto, possuo outra que é bem mais inopinada (que raio de palavra... decomposta, parece "hino à pinada"). É esta: Mark Zuckerberg não descansou enquanto não me teve do lado dos doidinhos facebookianos. Ele foi chamadas, e-mails, cartas registadas, mensagens via correio-pombo e até cegonhas, que não traziam bebés, mas sim compêndios das melhores algazarras da maior rede social da História. Admito: fui fraco e não resisti a esta operação de charme.
Não quer isto dizer que a página venha a possuir conteúdo exclusivo. Aqueles vídeos em Lloret del Mar comigo abraçado a um poste a declarar juras de amor eternas "a ti, Ágata, minha perdição" estão bem guardados e nunca serão divulgados. Todavia, porém, contudo e qualquer outra adversativa da qual não me lembro agora, poderei ser tentado a deixar por lá cair uma piadola que não seja merecedora de se exibir nesta baiuca. Hum? Sentiram-se tentadinhos? Não? E se eu vos oferecer um serviço de loiça chinesa produzido ali nas Caldas da Rainha? Não me fazem um likezito? Ah, seus marotos! Eu sabia que vocês não perdem uma oferta das boas. Melhores, melhores só aquelas da EHS e do Calcitrin, eu sei. Um passinho de cada vez. Hoje loiça chinesa das Caldas, amanhã, uma Simone ou um Malato para pôrem em cima do armário da casa-de-banho.
Como terão oportunidade de reparar, a página não tem foto de perfil. Estou a contar com as vossas propostas para lhe conferir uma imagem condizente com a reputação que o "Contra chatos" já criou, que é de badalhoca para baixo. Assim, peço-vos que façam chegar as vossas ideias via-email nos próximos quinze dias. É que depois mete-se o Natal e eu tenho de trinchar o perú... com dez dias de antecedência. Sim, é isso. Eu podia dizer-vos que isto é uma forma de vos mostrar o quão importantes vocês e as vossas sugestões são para mim, mas não é de nada disso que se trata. Só não me apetece andar por aí feito maluco à procura de uma boa imagem e então deixo-vos essa tarefa.
Este concurso está autorizado pelo Governo Civil da Minha Barraca e atribuirá como prémio um penico com a imagem de Donald Trump no fundo. Será a melhor oportunidade que terão durante toda a vida de cagar no futuro Presidente dos... ai, que me vai saltar o baço pela boca ao escrever isto... dos... dos... oh, vocês sabem de onde é e assim evitam-se espectáculos bizarros. O júri que escolherá a imagem vencedora reunirá grandes vultos da análise semiótica, sendo constituído por mim, pelo Lápis Roído e pelo "King".
Sem outro assunto, despeço-me com amizade e um António Vitorino entre os dedos do pé esquerdo.
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